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terça-feira, 25 de julho de 2017
Me parece que o pensamento coletivo do dia pra hoje é: "NADA COM UM DIA APÓS O OUTRO". A gente, na nossa impaciência, vê permanência nas coisas efêmeras, vê insolução nas coisas que ainda não estão prontas, vê sofrimento nas soluções. A gente não sabe ser árvore, crescer milimetricamente, folha por folha, estender nossos galhos a contento rumo ao sol. Choramos buscando aguar nossas próprias raízes, sorrimos quando recebemos a rega toda em um único dia. Dia após dia é que a Vida revela seus planos. NADA COMO UM DIA APÓS O OUTRO.
domingo, 9 de abril de 2017
Engraçado, chega um ponto em que fica cada vez mais fácil ir enfiando informação na cabeça, quanto mais informação temos, mais fácil fica de absorver outras. Imagino só as grandes mentes se expandindo, tal qual o universo, em supernovas e big bangs. Nós somos o universo em expansão, o universo em contração. Nós somos a realidade, nós criamos a realidade. Todos os processos pelos quais passo são os processos do universo. Minha mente é um fractal da consciência universal, da grande consciência. Um circuito elétrico, yoctométrico, em uma grande placa-mãe. Ultra velocidade da luz, ultrapassando os limites mensuráveis do nosso próprio entendimento. Telepatia, teletransporte - o princípio é o mesmo. É necessário parar de pensar nessas idéias em termos de corpo físico, essa é nossa limitação auto-imposta, nosso desafio. Se torna cada vez mais fácil estar só, estar em paz, em harmonia. Os conflitos surgem da melodia tumultuada de energias destoantes, portanto é preciso ser música e saber compor qualquer melodia. É necessário estudar - estudar as formas da vida, estudar as nuvens, estudar minha escuridão, estudar meu corpo e outros corpos, estudar os livros escritos por bruxas e bruxos, estudar eu mesma. Toda informação que preciso está em mim.
terça-feira, 24 de janeiro de 2017
Eu amo. Amo mesmo. Não me importa se é recíproco, não me importa se é carnal, não me importa se sou amada. Eu amo. Amar é um estado de espírito, um estado de graça. Amar é olhar para a vida, simplesmente para a vida e ver sua beleza selvagem, indomável, imprevisível. Amar é gostar do céu, absorver as cores da paisagem. Amar é ver que cada ser, dentro de si, emana uma beleza, uma ternura de ser um ser que ainda é meio criança, tentando aprender a viver. Amar é saber que tudo se completa, que tudo se complementa, que não existe certo ou errado, bom ou mau, existem opostos complementares que fazem parte de uma mesma natureza, quem sem um não existe o outro. Eu amo. Não importa o que qualquer um pense, o que qualquer um queira de mim, não importa quem queira me quebrar ou me modificar. Eu amo.
23/01/2017
23/01/2017
quinta-feira, 2 de junho de 2016
Quando parei de ouvir as palavras e passei a enxergar as atitudes, comecei a perceber a realidade.
Quando parei de olhar os olhos e passei a olhar os olhares, comecei a entender as intenções.
Quando parei de me apaixonar e passei a ser curiosa, comecei a conhecer e verdadeiramente amar as pessoas.
Quando parei de temer e procurei entender, comecei a pertencer em todos os lugares.
Quando parei de me condenar, comecei a me abraçar e sentir paz, defronte qualquer sentimento.
Quando parei de esperar, comecei a agir e aceitar o melhor de cada situação.
Quando parei de me odiar, comecei a amar.
Quando parei de olhar os olhos e passei a olhar os olhares, comecei a entender as intenções.
Quando parei de me apaixonar e passei a ser curiosa, comecei a conhecer e verdadeiramente amar as pessoas.
Quando parei de temer e procurei entender, comecei a pertencer em todos os lugares.
Quando parei de me condenar, comecei a me abraçar e sentir paz, defronte qualquer sentimento.
Quando parei de esperar, comecei a agir e aceitar o melhor de cada situação.
Quando parei de me odiar, comecei a amar.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
Sobre a possessividade...
Enquanto desejamos ter o que não temos, deixamos escapar aquilo que achamos que não temos mas que na realidade, é a única coisa que temos... A possessividade não nos permite possuirmos, sermos senhores daquilo que é nosso por voluntariedade, e ao invés, somos servos das nossas mesquinhas vontades humanas mundanas. Quem abre mão do controle firma as mãos nas rédeas da liberdade.
While we wish for what we don´t own, we let go of the things we think we don´t own but that are really the only things we own... Possessivity does not allow for us to possess, to be lords of what is voluntarily ours and instead, we become servants of our petty, mundane human wills. Who gives up on control firmly grips the reins of freedom.
While we wish for what we don´t own, we let go of the things we think we don´t own but that are really the only things we own... Possessivity does not allow for us to possess, to be lords of what is voluntarily ours and instead, we become servants of our petty, mundane human wills. Who gives up on control firmly grips the reins of freedom.
terça-feira, 24 de maio de 2016
Aprendendo a olhar para as pessoas e não para seus corpos...
Aprendendo a ouvir suas intenções e não suas palavras...
Aprendendo a prestar atenção e não esperar...
Aprendendo a ouvir suas intenções e não suas palavras...
Aprendendo a prestar atenção e não esperar...
Aprendendo.
Learning to look at people and not at their bodies...
Learning to hear their intentions and not their words...
Learning to pay attention and not expecting...
Learning.
Learning to look at people and not at their bodies...
Learning to hear their intentions and not their words...
Learning to pay attention and not expecting...
Learning.
terça-feira, 3 de maio de 2016
Minha raiva é meu combustível para ir além, não para praticar o mau, como fazem os fracos. Me passe uma rasteira, é motivo pra eu pular mais alto. Me puxe pra trás, é motivo pra eu resistir com mais força. Me cale, o meu olhar é impiedoso, você não pode calar a sua própria consciência. Tente me enganar, eu fico calada, olhando você cavar seu próprio túmulo e cair na sua própria armadilha enquanto nem me movo, no corpo ou no sentimento. Minha raiva me ensina a investir toda minha energia em mim mesma, a usar toda a minha força para me alavancar ao topo da mais alta montanha.Ao invés de usar minhas mãos pra agredir, bato elas contra o vento para alçar voo, para agarrar-me às pedras lançadas e escalá-las. Enquanto pensa que está me jogando pra escanteio, está me isolando para que eu possa melhor visualizar-me e sentir-me, sem influências e histerias externas por carência de atenção. Só meus olhos me veem, só meus olhos veem o que eu vejo... Tente me afogar em lágrimas - sou peixe, a água é meu habitat e enquanto deslizo, você se debate. Tente tirar tudo de mim e me enfraquecer - só me livra dos pesos que me atrasam. Pode me agredir, pode me odiar, pode tentar me isolar às trevas... é lá mesmo que meu brilho é mais intenso. Os fracos se escondem atrás de sorrisos assustados, esperando comprar paz com medo. Pois eu me fortaleço na verdade, encontro a pureza em meio aos escombros, me nutro exatamente daquilo que te enfraquece - a sinceridade. E assim vou me distanciando, vou indo mais longe, chegando aonde você jamais chegará pois está com as mãos ocupadas tentando derrubar os outros ao invés de subir...
05/04/2016
05/04/2016
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Muito Mais (Escuridão)
Muito mais fácil separar as pessoas em balaios do que entender a complexidade do ser humano, o porquê das coisas, das ações, das palavras...
muito mais fácil é pegar um ponto isolado, estático e congelado e chamá-lo de ponto sem observar sua trajetória... muito mais fácil excluir do que explicar.... muito mais fácil me ofender do que fazer uma auto-análise... muito mais fácil olhar pra aquilo que me dói e não aceitar que nada seja dito a respeito, que todos sejam obrigados a se calar para não me doer, ou para que eu não tenha que explicar a minha dor... muito mais fácil acusar desconhecidos, apontar dedos quebrados, proferir palavras que magoam para que eu não seja magoada, taxar de tiranos e bandidos do que salvar uma alma perdida com compaixão...
muito mais fácil é pegar um ponto isolado, estático e congelado e chamá-lo de ponto sem observar sua trajetória... muito mais fácil excluir do que explicar.... muito mais fácil me ofender do que fazer uma auto-análise... muito mais fácil olhar pra aquilo que me dói e não aceitar que nada seja dito a respeito, que todos sejam obrigados a se calar para não me doer, ou para que eu não tenha que explicar a minha dor... muito mais fácil acusar desconhecidos, apontar dedos quebrados, proferir palavras que magoam para que eu não seja magoada, taxar de tiranos e bandidos do que salvar uma alma perdida com compaixão...
muito mais fácil escolher aquilo que não me dá trabalho do que realizar um trabalho de verdadeira caridade espiritual... muito mais fácil esquecer os meus erros e estagnar a minha evolução enquanto condeno a evolução alheia e os caminhos que necessitam percorrer... muito mais fácil fazer o que esperam de mim e projetar uma imagem que corresponda às expectativas externas daqueles a quem quero agradar do que ser verdadeira, aceitar minhas limitações e olhar para o meu amigo e o meu inimigo com a mesma complacência e severidade para que eu seja amada por aqueles que eu amo e ignorar aqueles que odeio...
terça-feira, 19 de abril de 2016
segunda-feira, 4 de abril de 2016
Não foi de coração...
Você tem razão: o que te dei não foi do meu coração. Foi do meu suor. Eu não acordo todos os dias pra trabalhar por amor, mas por sacrifício. Para executar todos os dias uma tarefa que eu não amo, mas que pelo meu esforço será meu trampolim para alcançar o que eu amo. Eu não abandono minha casa, meus bichos, minhas plantas, pelo desejo do meu coração e sim para abrir os caminhos para que um dia, meu coração tenha voz em sua máxima expressão. Eu não evito bares e biritas, cachoeiras e viagens, porque prefiro a reclusão e sim porque quero de um dia em diante não ter hora pra voltar. Quero que, um dia, meu coração possa sonhar e abrir asas para voar até alcançar os sonhos. Sei que não se voa sem antes bater muito as asas, sem esforço contínuo, suas asas apenas te derrubam de um ponto mais elevado. Não foi do meu coração que te dei. Foi dos meus braços, dos meus pés, dos meus pulmões, do meu riso silenciado. Foi do meu labor. Agora, se for do coração que você quer e realmente valoriza, tenho histórias de todos os tipos, tenho percepções, tenho paisagens belas, tenho observações. Mas nunca foi o que tinha no meu coração que você quis. Foi o que tinha no meu suor, que você não quer derramar o seu. Foi o que tinha nas minhas mãos cortadas e ásperas como de um homem das lavouras que planta, colhe e prepara. Foi o que tinha no meu sacrifício como de tantas mulheres que dedicam a vida para cuidar. Não dei do meu coração, dei de todos os outros músculos do meu corpo. Mas, se pra você só vale o que vem do meu coração, não olhe para o material...
31/03/2016
31/03/2016
quarta-feira, 16 de março de 2016
É engraçado como quando você está no lugar errado, tudo parece errado. As pessoas olham pra você como se você fosse cheia de problemas, como se você fosse desestruturada e sem luz. As pessoas te taxam de doida, de preguiçosa, de vagabunda, de incompetente. As pessoas riem da sua cara, falam mal pelas costas, fazem você se sentir imprópria, inapropriada, isolada. Dizem coisas do tipo: "...você que não gosta de fazer nada..." ou "...que muitas pessoas passem pela sua vida e te iluminem..." como se não fosse justamente essas mesmas pessoas que estiveram me fazendo sentir como "doidinha" esse tempo todo. Minha luz vem de dentro. Cada vez que me encontro mais e me conheço mais, mais sou aceita e bem recebida e querida, e mais meus empreendimentos florescem. Essa iniciativa de conhecer a verdade parte de MIM e do meu desejo de crescer, evoluir como ser humana e viver em paz. Quem não me enxerga pensa todas essas coisas do início do texto sobre mim. Quem quer me conhecer se aproxima. Quem me conhece, tá pouco se lixando se tudo acima fosse verdade e são meus amigos acima e apesar de tudo. Vocês, seres perfeitos e harmonizados que gostam de me rotular, me julgar, tirar conclusões ao meu respeito..... nem digo nada. Não é a toa que a vida nos mantém distantes. A vida me aproxima cada vez mais de pessoas parecidas comigo, com quem me sinto a vontade, com quem me sinto verdadeira, com quem não me sinto inadequada ou esquisita e posso ter conversas mais profundas do que a festinha de ontem a noite ou o texto estúpido que preciso entregar no prazo. Só posso agradecer à Vida por estar me encontrando, encontrando meu lugar, onde eu não me sinto um lixo como me senti durante a graduação, onde fiz um curso que nem era minha vocação, superei minhas próprias barreiras e obstáculos e me tornei o que eu quis ser. Quem quer enxergar outra coisa, só digo uma coisa.... a falta de luz está dentro de você, não de mim. Minha luz pode ainda ser fraca, mas é o suficiente pra guiar meu caminho, pra eu saber aonde estou caminhando.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016
Não Tenho Tempo
Não tenho tempo para gente fraca.
Não tenho tempo para quem não quer se esforçar para conseguir as coisas.
Não tenho tempo para puxar do fundo à superfície quem nada em direção ao mesmo.
Não tenho tempo para quem quer se arrastar em pedras por ignávia ao invés de levantar os pés e calcar os degraus oferecidos.
Não tenho tempo para quem quer me convencer de que as coisas difíceis são impossíveis de serem realizadas, para aqueles que não querem se esforçar ou ter trabalho, que não querem sentir o gosto da conquista.
Não tenho tempo para quem diz que eu não vou conseguir e pra quem diz que não consegue.
Não tenho tempo para esperar o despertar de outro enquanto já ouço o canto dos pássaros matinais.
Não tenho tempo para ser amarrada, pois estou sempre em movimento.
Não tempo tempo para que me provem o contrário do que já constatei.
Não tenho tempo para quem quer desconstruir os tijolos que já pavimentei em terreno firme.
Não tenho tempo para que continuem me contando as mesmas mentiras sobre quem eu sou e o que estou fazendo aqui nessa existência.
Não tenho tempo para ser rotulada, engarrafada, emprisionada ou definida por qualquer termo que limite meus horizontes, minhas possibilidades existenciais e paralelas.
Não tenho tempo para esperar a vida acontecer, eu faço acontecer.
Se não der certo, não foi tempo perdido.... é tempo aprendido.
Não tenho tempo para quem não quer se esforçar para conseguir as coisas.
Não tenho tempo para puxar do fundo à superfície quem nada em direção ao mesmo.
Não tenho tempo para quem quer se arrastar em pedras por ignávia ao invés de levantar os pés e calcar os degraus oferecidos.
Não tenho tempo para quem quer me convencer de que as coisas difíceis são impossíveis de serem realizadas, para aqueles que não querem se esforçar ou ter trabalho, que não querem sentir o gosto da conquista.
Não tenho tempo para quem diz que eu não vou conseguir e pra quem diz que não consegue.
Não tenho tempo para esperar o despertar de outro enquanto já ouço o canto dos pássaros matinais.
Não tenho tempo para ser amarrada, pois estou sempre em movimento.
Não tempo tempo para que me provem o contrário do que já constatei.
Não tenho tempo para quem quer desconstruir os tijolos que já pavimentei em terreno firme.
Não tenho tempo para que continuem me contando as mesmas mentiras sobre quem eu sou e o que estou fazendo aqui nessa existência.
Não tenho tempo para ser rotulada, engarrafada, emprisionada ou definida por qualquer termo que limite meus horizontes, minhas possibilidades existenciais e paralelas.
Não tenho tempo para esperar a vida acontecer, eu faço acontecer.
Se não der certo, não foi tempo perdido.... é tempo aprendido.
Desenho: Ludmila Goulart
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Brilhe... sem jogar lama no brilho do outro...
Se ame... sem esperar reconhecimento de ninguém...
Se assuma... seja livre sem oprimir...
Reivindique seu espaço e seu direito.... sem ódio, com amor, força e determinação... Beyoncé style
Ame a alma.... não o corpo ou parte dele...
Demonstre como agir... não imite ou reproduza comportamentos que falharam desde sempre....
Tenha senso crítico...tenha distinção....
A ração de ódio que nos é alimentada todos os dias só dá mais fome... fome de sangue... fome de miséria... fome de separatismo...
Antes de qualquer coisa, somos todos humanos....
Se ame... sem esperar reconhecimento de ninguém...
Se assuma... seja livre sem oprimir...
Reivindique seu espaço e seu direito.... sem ódio, com amor, força e determinação... Beyoncé style
Ame a alma.... não o corpo ou parte dele...
Demonstre como agir... não imite ou reproduza comportamentos que falharam desde sempre....
Tenha senso crítico...tenha distinção....
A ração de ódio que nos é alimentada todos os dias só dá mais fome... fome de sangue... fome de miséria... fome de separatismo...
Antes de qualquer coisa, somos todos humanos....
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016
Hipocrisia reina, machismo nosso de cada dia...
Me recuso a ser a princesinha na torre do castelo, esperando um príncipe viril chegar no cavalo branco e fazer os trabalhos braçais para mim, me tratar como uma flor delicada... sou uma mulher que corre com os lobos. Não vou ser casta e celibata enquanto "homem" nenhum se consola de minha rejeição beijando outra boca, tocando outro corpo. Não sou uma dama num pedestal, não sou bibelô de porcelana, sou de barro, de pedra. Arranho, corro, escalo, martelo, desenho, canto, bordo, pinto o sete. Sou mulher, com F maiúsculo. Se não aguenta me ver alçar voo, não toque nem admire minhas asas. Olhe apenas a silhueta de longe, minha forma contra o sol enquanto voo alto e longe. Você não me enxerga. Suas mãos estão sujas da lama misógina por trás de toda a sensibilidade artística. Príncipe nenhum.... sapos.
Me recuso a ser a princesinha na torre do castelo, esperando um príncipe viril chegar no cavalo branco e fazer os trabalhos braçais para mim, me tratar como uma flor delicada... sou uma mulher que corre com os lobos. Não vou ser casta e celibata enquanto "homem" nenhum se consola de minha rejeição beijando outra boca, tocando outro corpo. Não sou uma dama num pedestal, não sou bibelô de porcelana, sou de barro, de pedra. Arranho, corro, escalo, martelo, desenho, canto, bordo, pinto o sete. Sou mulher, com F maiúsculo. Se não aguenta me ver alçar voo, não toque nem admire minhas asas. Olhe apenas a silhueta de longe, minha forma contra o sol enquanto voo alto e longe. Você não me enxerga. Suas mãos estão sujas da lama misógina por trás de toda a sensibilidade artística. Príncipe nenhum.... sapos.
sexta-feira, 20 de novembro de 2015
Quem se desconecta da natureza se desconecta do amor, se desconecta do tudo, da verdade, do ponto de vista divino... se desconecta da vida, e mantém-se como um zumbi consumidor, alheio a sua própria existência, moldado a ferro e fogo para caber numa perfeição ilusória, que se desintegra ao menor toque de luz. Consumindo a energia de outros seres, consumindo a vitalidade de outras existências, consumindo a luz à poeira.
quinta-feira, 27 de agosto de 2015
A Deusa
Eu tenho medo de ser eu. Eu choro porque eu tenho medo de
ser eu. Eu tenho medo de estar sendo eu, naturalmente, e erroneamente ou
preconceituosamente ser eu a próxima vítima da “justiça com as próprias mãos”.
Temo ser eu quem vai sentir sua vida esvaecer lentamente diante dos meus olhos,
sem que eu possa me defender. Acusada injustamente até a morte, e ainda depois,
ser profanada mesmo após “feita justiça”. Acusada de bruxaria, atribuindo às
bruxas características de satanistas, vociferando o absurdo do absurdo, calamidades
atrozes e alucinadas. Alucinógena mesmo é a raiva, que distorce a visão,
desfigura, aliena. É como se “meu mundo” fosse um furacão incontrolável, e no
mundo existissem 7 bilhões de “mini-mundos”
de furacões incontroláveis. Melhor logo morrer envenenada de amor como Julieta
e Romeu que brutalizada e barbarizada por seres como eu, humana, falha e
inconformada. Tenho medo. Mas aí me lembro que meu corpo não é nada, que morta,
já não sinto nada e que nessa passagem é tão fácil fundir-se ao um. Nesse mundo
patriarcal, a mulher se permite essa aceitação pela passividade materna da
Deusa que dá livre arbítrio aos seus filhos; assim fazemos, damos livre
arbítrio aos frutos dos nossos ventres. Permitimos que tentem do seu próprio
jeito, estando sempre prontas para aparar nossos rebentos na hora da queda e
acolhê-los de volta aos braços protetores da Mãe, cujas mãos deveriam ser
beijadas todos os dias. Todas as mulheres são mães de todos os homens, e as
mulheres nascem de outras mulheres por mitose da Deusa em todas as suas manifestações
divinas. O homem, orgulhoso, não aceita a Deusa, não aceita ser fruto de seu
ventre. Quer comandar a si próprio, contrário a toda a sabedoria e carinho
protetor da Deusa. Quer romper o cordão umbilical, mas acostumado à seiva
sanguínea nutritiva oferecida pela Deusa, busca o sangue em outros lugares,
busca de onde a Deusa não oferece. Violenta a Deusa querendo voltar para dentro
dela, ao aconchego e proteção, aonde tudo que necessita lhe é oferecido. Agride
a Deusa que não quer lhe dar amor, pois seu propósito na vida é amá-los, mas
são eles mesmos que nos abandonam. São eles mesmos que nos subjugam, nos
subordinam, humilham e menosprezam. São eles mesmos que condenam, julgam e
acusam as bruxas, putas, independentes, vadias, humanas, mulheres, Deusas.
Todas Deusas. A mulher é a criação e a passividade, é a união, o fator comum
entre todos os seres. Bruxas, seremos queimadas e renasceremos como fênices,
voltando vida após vida, estaremos entre todas as gerações. Nosso trabalho é
incessante, de semear a conexão e ensinar com paciência aos homens o dom do
amor. Um dia, todos já nascerão com esse dom. Seremos todos como as árvores,
estrondosas e pacíficas, irradiando luz até que nada mais seja visto. Para
isso, todos os que já se iluminaram, encarnem ao menos uma vida mais por amor à
humanidade! Amem-nos, cuidem-nos, ensinem-nos a sermos irmãos; faço esse
convite em nome de nós que carecemos de professores. Alguns lhes receberão com
muito carinho, ainda assim muitos serão tocados. A Deusa será ressucitada e
voltará a rainhar em todo seu esplendor e graça, com a majestade da lua, com a
imparcialidade do sol, com a liberdade da água. Os homens entenderão que
violência contra a Deusa é violência contra si, pois a Deusa é só acalento e
amor. Que minhas lágrimas sejam a água que rega o amor, que sejam o perdão
pelos meus irmãos que não sabem pedir. Que sejam eu removendo um pouco da sua
dor, Deusa, fazendo dela minha para aliviar um pouco que seja o sofrimento seu.
Que todas as lágrimas derramadas por ti sejam sua redenção. Que as pessoas se
calem mais e olhem as estrelas, ouçam o canto das árvores. Nunca, jamais, se
utilizem de seres do bem para praticarem maldades. Nunca, jamais, machuquem o
espírito da Mãe. Permitam o matriarcado da Deusa, que é o equilíbrio natural.
Toda mulher é a Deusa: que todos os dias o sol nos acorde com essa encantação, que todos os dias a água nos devolva a pureza, que Shiva se mostre em sua
verdadeira fácies e nos entregue espelhos da Realidade.
Ohm Shanti Shanti Shanti.
segunda-feira, 3 de agosto de 2015
Ventos da inconstância
As passagens da vida só mostram a inconstância das coisas, dos momentos. Aquilo que passa como uma rajada de vento, deixando folhas e cabelos alvoroçados, é apenas uma tempestade passageira, servindo apenas para derrubar as folhas secas e fortalecer os caules. Ventania que passa não me abala, não confundo vendavais com a brisa da primavera ou com o sopro gelado do inverno. A inconstância é certeza, e tudo que necessito está em mim. Tudo que é externo é incerto e não faz parte da minha vida, a não ser apenas por pequenos momentos de contribuição, riscos na tela da minha obra. Aquilo que veio e se foi, nunca esteve, e a vida me mostra isso com clareza e firmeza. Não sou muleta, sou amiga. Sou forte, mas não consigo e nem devo carregar algo mais pesado que eu mesma. Cuido, com carinho maternal, mas não sou mãe para me sacrificar por outro ser tão capaz quanto eu. Não confunda meus auxílios e cuidados com obrigação. Não confunda minha sinceridade com agressão, apesar de que o mundo anda valorizando muito mais a falsidade egoística e vaidosa onde todos somos iluminados e prontos. A senda é recoberta por pedras, alguns que já trilharam por uma passagem podem se tornar para trás e avisar "cuidado com o buraco" e alguns que a querem trilhar podem querer conhecer cada buraco. Novamente, a vida me mostra que o caminho da senda é solitário, mas que no silêncio reside algumas das maiores belezas, alguns dos mais profundos aprendizados. É no silêncio que posso contemplar a beleza da flor sem clichês, sem expectativas. É no silêncio da alma que posso enxergar a flor brotando das pedras, as gotas que escorrem por entre os grãos, o pássaro, que silenciosamente, dá um show aéreo por entre raios de sol. O que se foi nunca fez parte de mim, ou já fez e está feito. O que está ao alcance de minhas mãos, já toquei, e se não, contemplei em quietude. Agora, me resta continuar em meu caminho, aprender com cada mestre que é um indivíduo, seja ele gente, planta, pedra, bicho.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
Ssssssssh...
O silêncio é uma benção. É o momento em que não se distingue o externo do interno. É um momento de diluição. É um momento de digestão. A descoberta só ocorre em silêncio, na mais pura observação, através da contemplação da existência. Sob o silêncio, não há mentiras. Sob o silêncio, não há enganação. Sob o silêncio, todas as ilusões se dissolvem, a matéria se desintegra e a unidade pode ser percebida. Somente em silêncio podemos sentir as coisas que não ouvimos, não vemos, mas sentimos. O silêncio não pertence só aos ouvidos, mas à boca, aos olhos, às mãos, ao sentimento, ao pensamento. O silêncio é sabedoria. O silêncio é realidade, verdade. O silêncio nos ensina a sermos mais humanos.
sexta-feira, 26 de junho de 2015
Sodades
Bateu uma saudade hoje... saudades daqueles que já não posso rever, transfigurados da forma humana, presentes para a memória, na memória. Ainda sorrio ao ouvir internamente suas doces palavras, ao viver seus sábios ensinamentos, ao sentir seus eternos carinhos vivos na recordação. Bateu saudades daqueles que foram afastados de mim pela própria vida, não separados, apenas distanciados pelo coração e pelos pensamentos, pelo olhar, pelo tocar. Saudades dos amores que nunca superei, nunca supero. Saudades daqueles que foram separados de mim pela distância, pela ausência física que ainda arde em meus pulmões, que anseio para reencontrar por um acaso nada coincidente, por um imã eletromagnético dos corações pulsantes, vibrantes de calor. Saudades dos que conhecem meus caminhos, cada degrau e cada ladrilho ausente, dos que admiram a lua ao trilhar-me, dos que em mim vêem um espelho de águas. Saudade do que eu sempre quis e nunca foi, saudade de acreditar. Saudades do que fui, do que sou, do que serei. Saudades de tudo ser uma coisa só, de ser tudo. Sodades.
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